Mesa posta

Mesa posta
Mesa posta para um almoço com Fragonard

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

fundo da prateleira

O mês de janeiro já está acabando, mas ainda vale um conselho do Calendário da Dona de Casa do Anuário das Senhoras de 1944:

Janeiro : mês em que se deve organizar o período de férias. Repassar a roupa a pôr em uso na temporada. Podem preparar-se conservas e doces caseiros aproveitando os produtos da estação. Convém pensar nas reparações da casa: pinturas, goteiras, etc. Os dias costumam ser claros e magníficos para esse gênero de trabalho.

E como na semana que vem já é fevereiro...

Fevereiro: no caso de aproveitar as férias neste mês, trata-se de guardar cuidadosamente das roupas e móveis, deixando tudo perfeitamente limpo, o que representará boa economia de tempo ao regressar. Os colchões devem ficar enrolados, envolvidos em algodão, e, por dentro, colocar várias bolas de naftalina. (Ui detesto cheiro disso). Convém também cobrir os móveis se a luz entra direto nos aposentos. Desta maneira não perderão o lustro nem se cobrirão de poeira. Não esquecer de desligar a luz, gás e água.

Isso é do tempo da minha avó, mas quem sabe não tem alguma coisa que se aproveite? Olha que tem.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Do fundo da prateleira: O que é ser chic?

Do fundo da prateleira resgatei a coleção de revistas da minha avó: Anuário das Senhoras. Uma coleção maravilhosa para quem adora comportamento, moda, história, dicas de cozinha, anúncios dos mais variados, enfim, uma delícia.

Além de fontes preciosas para alguns artigos acadêmicos, a coleção vai também estrear aqui no meu blog. Hoje gostaria de transcrever, com alguns adendos, como fotos e curiosidades que trago graças ao mundo maravilhoso da internet, um artigo não assinado que procura trazer algumas definições sobre o que é ser chic no ano de 1952.

Procurando a definição do que é ser chic, um jornalista parisiense realizou uma enquete no "Intransigente", interrogando várias personalidades. Algumas delas o anônimo artigo traz:

Da modista Madeleine Vionnet: chic é feito de elegância, graça e porte. Esse é o trio da perfeição. Nele há donaire, impertinência, coqueteria, alegria e às vezes, até ironia...

Antes de ir adiante, quem foi Madeleine Vionnet?

Um não tão famosa, mas muito provavelmente tão fantástica figurinista francesa quanto Channel.

Tanto é assim que ganhou uma exposição no Museu de Artes Decorativas de Paris: "Madeleine Vionnet: puriste de la mode", de 24/06/2009 a 31/01/2009. Ainda dá tempo de arrumar as malas e correr à cidade luz para ver a exposição. http://www.lesartsdecoratifs.fr/

Conhecida como a inventora do corte em viés e famosa por seus drapeados, Madeleine Vionnet é reverenciada como um dos grandes nomes da moda do século XX, e uma das responsáveis pela revolução estética que libertou o corpo feminino.

Portanto, suas palavras devem realmente ser levadas em consideração.

Vionnet em seu estúdio na Av. Montaigne, em 1930


Vestido coleção de inverno de 1921


Vestido preto 1937



 Para a princesa Lucien Murat (escritora francesa casada com um importante diplomata) o chic é feito do nada. Tanto depende da maneira de andar como do vestido que se usa. Até mesmo despida a mulher pode ser chic.




 A poetisa francesa Lucie Delarue-Mardrus, define o chic como: a maneira de dissimularmos com arte os defeitos físicos, de fazer desaparecer o ridículo da moda, conseguindo assim, um conjunto agradável à vista e ao espírito. É uma das coisas mais difíceis de se aprender. É um dom natural, um instinto, no qual entram os conhecimentos do pintor, do escultor, do desenhista e até se poderia dizer, do poeta.

O escritor Albert Flament expressa que chic é uma essência rara, um gosto original. É um modo de ser que está sempre na moda, não está em nada e está em tudo.

O pintor fauvista holandês Van Dongen pensa que o chic é um dom como o talento e o gênio; Há mulheres que são chics com um vestido barato, outras, com vestidos caríssimos, dão a impressão de estarem embrulhadas.


Retrato de sua esposa Guus, em 1910. Ela parece ter sido chic.


Para mim se chic é ser polido, adequado, ter bom senso, ter discernimento.

Que desafio...








sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O que é ser um gentleman???

Quem nunca se fez essa pergunta???

Pois então, ontem mesmo falava do nosso querido Marcelino de Carvalho, expert em boas maneiras brasileiro, já falecido. Escritor do clássico "Guia das boas maneiras" e outros títulos deliciosos.

E folheando seu mais que maravilhoso Snobérrimo, achei um capítulo sobre esse conceito. De tudo separo uma pequena quase anedota:

"Um rapaz de excelente família e boas maneiras (somente lhe falta lume) foi convidado para passar o carnaval em uma propriedade em Correias, quase em Teresópolis. Havia um grupo simpático com ele. Certa manhã, o rapaz levantou-se, apanhou a gilette e as toalhas e foi à sala de banho, que ficava no fundo do corredor. Torceu o trinco e deparou com uma senhora, que tomava ducha.



Recuou, fechou a porta incontinenti e voltou ao seu quarto. Mas, no caminho, lembrou-se de que havia ouvido tempos passados o seguinte axioma: a diferença que há entre um homem bem educado e um gentleman é que, se bem educado entra em uma sala de banho e encontra uma senhora nua, fecha a porta e diz: Perdão minha senhora! e o gentleman diz: Perdão cavalheiro!
Lembrou-se do axioma e calculou tudo. À hora do almoço, logo no início do primeiro gole de aperitivo, dirigiu-se à senhora e contou:
- Imagine a senhora que, hoje pela manhã, fui ao banheiro e o trinco não estava fechado por dentro. Quando abri a porta, sabe quem encontrei tomando ducha?
- Não sei, quem?
- Seu marido!
A senhora teve um desses olhares, que somente elas sabem ter e, assim mesmo, em certas ocasiões especialíssimas. O episódio foi, logo depois, contado aos presentes de boca em boca e fez a volta por toda Copacabana!
Meu amigo de vinte anos, nunca seja um gentleman, feito assim de encomenda. Se lhe faltar a nuança - que é de fato um privilégio semidivino - seja simplesmente um homem bem educado, o que já é coisa admirável e rara, nos dias que vão".

Não é ótimo?

pensando em casaca

Pensando em casaca, já que li e escrevi um pouco do Marcelino de Carvalho, sei lá porque, lembrei de um filme de sessão da tarde que eu adorava (e adoro!!!) "Brotinho Indócil". Encontrei uns cartazes muito legais...

Filme de 1958




 Segue uma sinopse em inglês:




The Reluctant Debutante is a vintage example of the sort of elegant, witty "polite" comedy that Hollywood used to pull off so well. Real-life husband and wife Rex Harrison and Kay Kendall are cast as newly wed Jimmy and Sheila Broadbent, two of London's more attractive aristocrats. Jimmy has a daughter, Jane (Sandra Dee), from a previous marriage; though the girl is dead set against it, Jimmy insists that Jane make her society debut in London. Daddy wants his darling daughter to meet the "right" kind of husband, but she's more interested in handsome-but-shady American musician David Parkson (John Saxon). Little does anyone know that David, secretly a titled millionaire, is actually the prize catch of the season. The matchless Kay Kendall manages to walk away with the picture, though she's given a run for her money by fifth-billed Angela Lansbury. The Reluctant Debutante was based on the play by William Douglas Home.

O que fazer quando o homenageado não recebe a homenagem?

Pois então...

Há certas situações que realmente são ímpares...

E é justamente nessas horas que é preciso ter discernimento. E muita, muita caridade.

Vamos imaginar (porque é melhor do que vivenciar) uma situação em que se é convidado para ser homenageado. Um convite oral, feito com insistência, em data não muito apropriada. Mas vamos lá... é possível rejeitar um convite para ser homenageado? Que situação... Lisonjeado, aceita-se, espera-se e o convite por escrito não vem.

Mas o convite foi feito, a cerimônia vai acontecer, existe um documento que comprova que seu nome consta como homenageado. Cede-se e acaba-se por comparecer... Você é o principal homenageado, disso não resta dúvida.

Mas o principal homenageado não recebe a condecoração.

Como disfarçar o descontentamento? O desapontamento?

Do fundo do baú tira-se um sorriso amarelo, do âmago se arranca uma maquiagem mais carregada para disfarçar a cara de tacho.

Conclusão, disfarce, ande, corra...

!!!!!
Walk,  baby.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

casacas

Começando com Cary Grant...